26 dezembro, 2016

Revisar a ação catequética



A Crisma é o sacramento do tchau, dizem por aí. Será por quê? Porque os crismados somem da Igreja. Se queremos formar discípulos de Jesus que assumam a missão de evangelizar, por que então poucos se engajam nas pastorais? Por que há tão pouca adesão ao projeto de Jesus? E mais uma pergunta intrigante: por que coordenadores, catequistas e padres se tornam indiferentes a esta realidade? 

Tudo isso acontece porque não há avaliação da ação catequética.  Todo ano devemos prestar contas de quantas crianças receberam a Primeira Eucaristia. Estamos preocupados apenas com quantitativos? O padre falou, na homilia da celebração da Primeira Eucaristia, que as crianças tomam a Eucaristia e depois tomam chá de sumiço. Gostei bastante das palavras de incentivo dele para que as crianças continuem frequentando a Igreja, mas o que podemos fazer além deste apelo: "crianças, continuem na Igreja, voltem depois da Primeira Eucaristia!" ?

Infelizmente, em muitas paróquias, a catequese ainda é puramente doutrinária, como disse uma catequista: uma catequese mecânica. Eu acrescentaria: uma catequese "burocrática" que se preocupa em seguir um roteiro caduco, sem metodologia catequética, sem prestar atenção  no eco que os encontros produzem. Catequese quer dizer fazer ecoar, não é passar conteúdos, copiar no quadro, fazer prova, fazer chamada, fazer cartão de frequência na missa. Se esses são os elementos da catequese, pense: qual será o eco? O lugar vazio na missa. Estão faltando crianças e crismados na missa! 

Te convido pensar a catequese assim: para andar, um carro precisa de uma estrada, de um motorista que saiba o caminho ou tenha um bom GPS.  E o carro também precisa  de combustível suficiente para percorrer o trajeto. E são importantes os freios em perfeito estado de conservação. Antes de viajar, é sempre aconselhável fazer uma revisão no carro: é preciso verificar se tem algum farol queimado, se a suspensão do carro está boa, se o motor está tinindo, se a bateria está carregada e etc. 

Ás vezes acontece de o carro está todo equipado, mas não há motorista que saiba fazer o trajeto certo. Ou: carro revisado e motorista habilitado, mas falta encher o tanque para que o carro possa andar. E mesmo com todos esses elementos, podemos ainda enfrentar mais um problema: não há estradas de asfalto. O carro é a catequese. O motorista é o catequista. A estrada é a metodologia. O destino é: formar discípulos de Jesus.

Então, o que está esperando? Vamos construir estradas. 

Por Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF

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