30 dezembro, 2016

Como arrumar a sala de catequese- Ambientação


Ainda existem catequistas que acham besteira organizar e arrumar a sala? Espero que não. 




 Infelizmente nossas salas de catequese parecem salas de aula, com direito a quadro negro ou quadro branco! Desfazer esta impressão de sala de aula ou de curso é fundamental. Nada de cadeiras enfileiradas e dispostas igual na escola. Vamos acomodar todos em círculos, de modo que podemos olhar uns para os outros. A disposição em círculo ajuda a criar um ambiente mais acolhedor e intimista, afinal estamos na casa de Deus.  É bom reservar uma mesa para expor a Bíblia. Coloque também  velas, crucifico  e uma imagem de Nossa Senhora. Na escola catequética, aprendemos a colocar um pano no chão, no meio do círculo, e colocar a  Bíblia. Também gosto de organizar assim.  

Começo a contar a história do encontro já na ambientação da sala. Numa turma de jovens e adultos, imagino que eles devam ficar curiosos para saberem qual será o tema daquele dia. Somos muito visuais. E precisamos utilizar de todos os recursos para que a mensagem de Jesus possa ecoar. Não é para transformar a sala num circo. Catequista não é palhaço! É so ter bom senso e equilíbrio, como tudo na vida. 


 A catequese já comunica na ambientação da sala. Fiz um encontro sobre confissão e levei pedras grandes para ornamentar a mesa da Palavra. Em um momento do encontro, falei do que aquelas pedras representavam. Ilustraram, na verdade, a passagem bíblia da mulher pecadora que iria ser apedrejada. Mas essas pedras representam tantas outras coisas: as pedras que encontramos no caminho, o peso que carregamos quando não sabemos perdoar, as pedras que atacamos nos outros...





Um exemplo bom de como podemos ilustrar o evangelho é da próxima foto.



 Esta ambientação foi feita numa formação para catequistas da escola catequética.  A formadora ilustrou a cena de João 4: uma fonte, moringa e água.



Vou postar umas fotos de ambientações dos meus encontros de catequese para servir de inspiração.




No encontro sobre ano litúrgico, inclui as imagens que fariam parte da dinâmica "Linha da Vida"




O tema era amizade:  dependurei móbiles de coração na sala! Ficou muito fofo!-Primeira Eucaristia




E no último encontro da catequese com adultos, uma árvore de luz, com os nomes dos crismandos, enfeitou a mesa da palavra.




Encontro sobre os frutos do Espírito Santo- Primeira Eucaristia






Em dezembro, a ambientação ficou por conta da coroa do advento.

Espero que vocês tenham gostado deste post e tornem a sala de catequese um ambiente bem acolhedor e repleto do amor de Deus.
 Que tudo nos comunique amor.


Por Cris Menezes
Catequista-poeta-fotógrafa
Brasília-DF

29 dezembro, 2016

Catequista tem perfil? Um anti-manual para escolher catequista





Sempre achei que ser catequista era um dom. E acreditei muito que havia pessoas com perfil para ser catequista e havia pessoas sem o menor perfil. Já vi textos ditando o perfil do catequista, como essa pessoa deve ser, qual comportamento deve ter. Confesso que,  algumas dessas características, eu não tenho. Vim repensar sobre isso quando o padre da minha paróquia disse que catequese é serviço. E questionou qual era o perfil deste "educador da fé". Vamos lá refletir um pouco mais:  Quem decide quais características o catequista deve ter? E quem decide que alguém tem ou não perfil para ser catequista? 

Sei que na nossa vida profissional, acontece muito disso. Chefes e gestores querem opinar se temos perfil ou não para exercer algum trabalho.  E muitas vezes nos descartam ou nos subestimam baseados num pré-julgamento deste tal de perfil- um julgamento raso baseado numa lista que foi tirada no sei da onde. E assim acontece na Igreja. Ás vezes, catequistas antigos ou coordenadores querem decidir se uma pessoa tem ou não perfil para ser catequista. O que precisamos saber mesmo é se este aspirante quer comprometer-se com esse serviço, se tem tempo disponível, se quer caminhar com uma comunidade, se está disposto a realizar as formações catequéticas, se tem vida sacramental, se realmente deseja amar como Jesus amou. Todas as respostas são sim? Ah, então essa pessoa tem perfil. E sabe de uma coisa? O mais importante mesmo é que aprendemos a ser catequista. Vamos ficando melhores com o tempo, mais sábios, com mais segurança para falar da doutrina, da Igreja e do próprio Jesus. Vamos parar de selecionar catequistas baseados num perfil ideal. Vamos acolher quem quer ser e formá-los para este serviço tão especial. Vamos acreditar mais nas pessoas. Vamos ajudá-las a crescer.

 Há características desejáveis para um bom catequista? Sim, mas podemos desenvolvê-las com o tempo. Afinal, o encontro com Jesus vai nos mudando e moldando. Sabemos que algumas pessoas têm  mais facilidade para falar, outras são mais tímidas, umas são mais acolhedoras, outras mais reservadas, umas não tem vergonha de  rezar em comunidade, outras gostam de rezar em silêncio. Somos uma igreja plural: cada um com seu jeito de ser. E cada um, com seu jeito único,  pode ser um catequista.   E no final das contas, não cabe a nós decidir quem tem perfil ou não. Cada um vai percebendo se é na catequese que quer se dedicar à Igreja. Muitos descobrem depois que possuem mais afinidade com outra pastoral. E alguns não querem sair mais, como eu! São cristãos que encontram na catequese uma forma linda de se colocarem a serviço do Reino de Deus.

Na escolha dos apóstolos,  eu vejo muito mais que 12 homens: vejo os vicentinos, os agentes de pastoral, os leigos, os ministros, os dizimistas, os catequistas... E qual será que foi o critério de Jesus na escolha dos 12? 

Por Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF


26 dezembro, 2016

Revisar a ação catequética



A Crisma é o sacramento do tchau, dizem por aí. Será por quê? Porque os crismados somem da Igreja. Se queremos formar discípulos de Jesus que assumam a missão de evangelizar, por que então poucos se engajam nas pastorais? Por que há tão pouca adesão ao projeto de Jesus? E mais uma pergunta intrigante: por que coordenadores, catequistas e padres se tornam indiferentes a esta realidade? 

Tudo isso acontece porque não há avaliação da ação catequética.  Todo ano devemos prestar contas de quantas crianças receberam a Primeira Eucaristia. Estamos preocupados apenas com quantitativos? O padre falou, na homilia da celebração da Primeira Eucaristia, que as crianças tomam a Eucaristia e depois tomam chá de sumiço. Gostei bastante das palavras de incentivo dele para que as crianças continuem frequentando a Igreja, mas o que podemos fazer além deste apelo: "crianças, continuem na Igreja, voltem depois da Primeira Eucaristia!" ?

Infelizmente, em muitas paróquias, a catequese ainda é puramente doutrinária, como disse uma catequista: uma catequese mecânica. Eu acrescentaria: uma catequese "burocrática" que se preocupa em seguir um roteiro caduco, sem metodologia catequética, sem prestar atenção  no eco que os encontros produzem. Catequese quer dizer fazer ecoar, não é passar conteúdos, copiar no quadro, fazer prova, fazer chamada, fazer cartão de frequência na missa. Se esses são os elementos da catequese, pense: qual será o eco? O lugar vazio na missa. Estão faltando crianças e crismados na missa! 

Te convido pensar a catequese assim: para andar, um carro precisa de uma estrada, de um motorista que saiba o caminho ou tenha um bom GPS.  E o carro também precisa  de combustível suficiente para percorrer o trajeto. E são importantes os freios em perfeito estado de conservação. Antes de viajar, é sempre aconselhável fazer uma revisão no carro: é preciso verificar se tem algum farol queimado, se a suspensão do carro está boa, se o motor está tinindo, se a bateria está carregada e etc. 

Ás vezes acontece de o carro está todo equipado, mas não há motorista que saiba fazer o trajeto certo. Ou: carro revisado e motorista habilitado, mas falta encher o tanque para que o carro possa andar. E mesmo com todos esses elementos, podemos ainda enfrentar mais um problema: não há estradas de asfalto. O carro é a catequese. O motorista é o catequista. A estrada é a metodologia. O destino é: formar discípulos de Jesus.

Então, o que está esperando? Vamos construir estradas. 

Por Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF

19 dezembro, 2016

Encontro com catequistas: preparação para planejar a catequese





Público-alvo: Catequistas/coordenadores de etapas

Objetivo: Partilharmos as dificuldades da caminhada; Criar um ambiente de partilha e amizade entre os catequistas; Aliviar a "bagagem" pessoal que carregamos e abrir espaços para o novo que chega; Preparar o terreno para podermos planejar a catequese, definir os temas e atividades.

Encontro 1: Aliviando a bagagem


Ambientação: Leve mochilas, bolsas, malas e disponha perto da mesa da palavra. As malas representam "os pesos" que carregamos durante a nossa caminhada. Quando preparei este encontro, pensei muito num lema: "seja leve". É isso que eu quero propor com este encontro: ser leve, ser amável, ser alegre, ser livre.   Então, para contrapor às bagagens pesadas que carregamos, podemos enfeitar a sala com bexigas, levar algodão doce, fazer bolinhas de sabão junto com os catequistas... Todas essas coisas que nos lembram leveza e alegria. Um conselho: quando fizer encontros e reuniões com catequistas, desenvolva atividades lúdicas com eles. Isso irá ajudá-los muito a serem lúdicos na catequese, independente da etapa. 

Leitura Orante: Mateus 11, 28-30





28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

No primeiro passo da leitura orante, é importante o coordenador explicar o contexto deste texto bíblico  e o que quer dizer "jugo".  Jugo é uma peça de madeira que se coloca em dois animais para eles trabalharem juntos. 
Jesus fez este convite (Vinde a mim)  porque as pessoas viviam oprimidas pela lei judaica. Esta lei era um jugo pesado demais para se carregar, mas o jugo de Jesus é leve e suave.  Jesus convidou aquelas pessoas para caminhar com Ele, lado a lado, e promete aliviá-las.
No segundo degrau "O que o texto diz para mim", os catequistas podem falar de seus fardos, das dificuldades no caminho. (Seguir para os próximos degraus: oração e contemplação.)

Encontro 2: Planejar é preciso


No segundo encontro, o coordenador pode reunir o grupo para  fazer o planejamento do ano de 2017. Já aliviamos a bagagem de 2016, partilhamos nossas dificuldades e dissemos sim a Jesus: queremos caminhar com Ele: "Vinde a mim, vocês todos que estão sobrecarregados. Eu aliviarei vocês." 

Atividade: Vamos levar só o essencial para 2017. 

O coordenador abre a mala e vai retirando o material:  coração de EVA e algumas palavras como: união, paciência, respeito. Ou, se quiser deixar o encontro mais lúdico, coloque na mala:  Um relógio para dizer que: catequista precisa de "tempo" para se dedicar e planejar a catequese; Uma bússola para indicar que precisamos de uma direção; Setas para indicar o caminho (Colocar as setas indicando para uma imagem de Jesus- pode ser uma foto, um quadro ou uma imagem de gesso);  A Bíblia porque é nossa principal fonte da catequese; E leve também calendários, catecismo, livros, caderno, canetas. O coordenador pode até levar uns bloquinhos para os catequistas fazerem anotações. Ou se tiver tempo. esses bloquinhos podem ser confeccionados com os catequistas durante o encontro.

Depois desta preparação, e com a mala vazia, podemos iniciar o planejamento. Temos mais um ano litúrgico para preparar a catequese. Vamos juntos!

Planejamento criado por:

Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF

15 dezembro, 2016

Que pena, que bom, que tal: Avaliando a catequese de 2016



Final de ano e de etapa, é hora de avaliar e preparar a catequese do próximo ano.  É bom reunir os catequistas, fazer uma avaliação do que foi feito este ano e olhar com mais atenção para a realidade da catequese (ver e julgar). A partir deste olhar, é que poderemos planejar 2017 (agir).

Nós passamos o ano inteiro preparando encontros para os catequizandos. Que tal preparar um encontro especial para os catequistas? Um encontro lúdico, dinâmico e com espiritualidade, como são nossos encontros de catequese. 

Durante as férias, irei publicar alguns textos sobre avaliação na catequese. Mas não estranhem: o blog vai entrar de férias por uns dias, vai diminuir o ritmo. É um tempo para descansar (catequistas viajem!rs) e depois voltaremos animados para preparar 2017.

Para hoje, deixo como sugestão uma dinâmica de avaliação do ano. Lembro que nosso coordenador, na época, fez essa dinâmica e foi ótimo.

É basicamente assim: proponha para os catequistas que falem
-Que pena: uma  atividade/projeto que não fizemos ou  que abandonamos.
-Que bom: uma atividade que realizamos e que rendeu frutos.
-Que tal: uma ideia para o próximo ano.

Gosto desta dinâmica porque avaliamos nossa caminhada (que pena/ que bom) e já criamos ideias para melhorar a catequese.

Podemos ainda, desenhar flores e folhas no papel com as três expressões (que pena, que bom, que tal) e entregar para que escrevam o que foi proposto. Depois, deixar um tempo para que compartilhem.


Que tal?


Boas férias!
Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF

05 dezembro, 2016

Como coordenar a catequese?



Vamos falar hoje sobre a coordenação da catequese? Você sabe quais são os objetivos de uma coordenação? Arrisca algum palpite?

Nem sempre o coordenador é preparado para assumir esta missão. O coordenador vai aprendendo enquanto caminha, enquanto vence os desafios. E por mais que haja um curso nas escolas catequéticas, ainda assim não seria suficiente para formar um coordenador. Maturidade cristã e de vida, capacidade de resolver conflitos, inteligencia emocional são fundamentais. Alguém me falou que um coordenador deve ser uma pessoa conciliadora. Penso que ser conciliador deveria ser pré-requisito para qualquer trabalho de liderança dentro da Igreja e fora.
Quando cheguei na coordenação, tinha mais de treze anos de caminhada na catequese. Percebi que Deus tinha me moldado muito e me preparado neste tempo todo para assumir a missão de ser coordenadora. Não é fácil. Mas crescemos muito: aprendemos a ser mais acolhedores e conciliadores. Quando assumi a coordenação, eu queria cuidar de todos os catequistas. Cuidado é uma palavra importante para um coordenador. Cuidar de quem cuida.

Então, para ajudar você que é coordenador, ou você que é catequista, a conhecer melhor os objetivos da coordenação, publico as diretrizes para o Ministério da Coordenação (Diretrizes  gerais para a catequese), Arquidiocese de Brasília) :


Objetivos da coordenação:
-Unir o grupo.
-Evitar a duplicação de tarefas.
-Incentivar os participantes.
-Articular talentos e recursos.
-Evitar a dominação e a omissão dentro do grupo.
-Criar um clima de responsabilidade e confiança mútua.
-Descobrir e valorizar a capacidade das pessoas.
-Testemunhar, servindo.
-Elaborar, em conjunto, um projeto catequético capaz de gerar a formação de comunidade.
-Criar unidade de ação entre a paróquia, setor, Vicariato e Arquidiocese.

Um desafio enorme, não acha?

Vamos prosseguir com os Compromissos da Coordenação:

"Para se realizar um bom trabalho é necessário que a equipe de coordenação:
-Elabore um programa de formação adequado às necessidades dos catequistas.
-Ajude os catequistas a integrar a catequese com as outras pastorais e serviços.
-Realize encontros de formação, estudos, aprofundamentos, retiros e celebrações.
-Incentive toda a comunidade para que se sinta responsável e assuma seu papel catequizador."


Este documento é uma bússola para nós coordenadores. Nos define uma direção e um jeito certo de ir. 


Cris Menezes
Catequista
Brasília-DF