Planejamento IVC com leitura orante- Tema:Confirmação (Catequese com adultos/ Crisma)





Vamos planejar um encontro de catequese com inspiração catecumenal? A proposta é do Dom  Leomar  A. Brustolin.  O roteiro sugerido para a catequese com adultos batizados é:

Preparar/ Acolher/ Rezar/ Ler/ Conhecer / Refletir /Crer/ Em casa/ Rezar/ Aprofundar

O encontro é realizado a partir da leitura Orante da Bíblia. Esta é a proposta da coleção de livros que contempla a Eucaristia, perseverança, crisma e catequese com adultos. O método da Leitura Orante foi criado por um monge com a intenção de ser degraus que nos levem a Deus.  Já sabemos que a Bíblia é a fonte principal da catequese, por isso deve ter um lugar central no encontro de catequese. Mas também a Bíblia não deve ser lida e guardada ou apenas servir para ornamentar o encontro de catequese; deve ser lida, meditada e partilhada. Assim, a proposta de fazer catequese com Leitura Orante vem responder nossos anseios para uma  catequese de iniciação à vida cristã, para ressoar, na vida do catequizando, o amor de Jesus.

Então, é importante que o próprio catequista faça Leitura Orante da Bíblia, para depois levar os catequizandos a esta intimidade com a palavra de Deus. Deixo como sugestão o blog da Ir. Patrícia Silva. Diariamente, ela posta o evangelho do dia seguindo os passos da Leitura Orante.  (Ver  link do blog dela nas referências no final do post.)

Neste texto, vamos  planejar um encontro de catequese com inspiração catecumenal, proposto por Dom  Leomar para a catequese com adultos (livro adultos na fé).  E irei também incluir ideias de um outro livro dele (A fé cristã para catequistas).

Obs.: Não falei de todos os passos propostos. E já comecei pelo passo da leitura orante, porque os passos inciais é comum em qualquer metodologia:   fazer a oração inicial e acolher. E inclui também, neste planejamento, um passo sobre o Testemunho de Vida que pode, na verdade, ser falado no momento do encontro que o catequista achar mais apropriado. Tentei reunir as ideias dos dois livros do Dom. Leomar para enriquecer mais o encontro.



1. Ler


O autor sugere que tenha uma mesa da palavra (Ambão)  onde será feita a leitura da Bíblia, como na missa. E uma outra mesa (Mesa da catequese) para todos se reunirem. (Claro que não temos, na nossa comunidade, recursos para manter este espaço. Apesar de  bonito, ainda fica parecendo um ambiente de estudo, comentávamos isso no grupo da coordenação. Afinal não é um curso, é um encontro. Todos sentados em círculo, sem a mesa, fica melhor.  Esta mesa da catequese me lembra mais uma mesa para se fazer as refeições.)



Mesa da catequese




Bom, vamos para a Leitura Orante!

Um catequizando é escolhido para ler a passagem bíblica, enquanto todos apenas escutam a palavra de Deus. Depois, o catequista lê mais uma vez. (Na leitura orante se recomenda ler 2 ou 3 vezes o texto bíblico.)








Proclamação do Evangelho: Lc 4, 14-21



14.Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E a sua fama divulgou-se por toda a região.
15.Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos.
16.Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.
17.Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61,1s.):
18.O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração,
19.para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor.
20.E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.
21.Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.


Depois das leituras,  todos abrem a Bíblia, procuram e marcam o texto lido. 
Quais são os verbos deste texto? Para que Jesus veio?
Num segundo momento, os catequizandos irão fazer uma reconstrução do texto, sem consultar a Bíblia. Depois, cada um pode sublinhar os versículos que mais gostaram. Agora, o catequista vai questionar: o que o texto diz?

2. Conhecer



(Este é o momento do encontro que o catequista explica a passagem bíblica e desenvolve o tema do encontro. O autor sugere que o catequista se prepare para não ler o texto do encontro.  O texto é um roteiro sobre o que devemos falar. Eu também concordo que o catequista não deve ler o texto ou fazer o encontro sempre lendo apostilas. Dom Leomar diz que a leitura do texto pode se tornar cansativa e demonstrar o despreparo do catequista.)

Segue então o texto que explica o Evangelho:


"O texto remete à cidade de Nazaré, onde Jesus tinha crescido. E como qualquer homem judeu de sua época, ao sábado vai à sinagoga. No relato bíblico, Lucas detém na presença de uma pessoa predileta: O Espírito Santo. As palavras do profeta Isaías que Jesus lê descrevem sua missão: 'O Espírito Do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa-notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos  e aos cegos, a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor'( Lc 4, 18-19)."


"A atividade de Jesus beneficia diretamente os pobres. Dessa maneira, Jesus nos revela o amor preferencial de Deus pelos mais pobres e marginalizados. As últimas palavras de Jesus, depois da leitura do profeta: "Hoje se cumpriu essa passagem da escritura, que vocês acabam de ouvir:"confirmam seu ser e sua missão e ecoam até hoje a atualidade dessas palavras. A Igreja ungida e movida pelo mesmo Espírito Santo, continua sua missão libertadora, continua tendo sentido ao longo dos séculos na medida  em que assume como próprio o programa de vida de Jesus de Nazaré. Todo o que recebe a unção do Espírito Santo, confirmando o Batismo, deve se associar à missão de Jesus, de estar sempre ajudando os outros, para que todos tenham vida. Ninguém é crismado apenas para ter um conforto espiritual, mas para unir-se mais a Jesus, ser feliz com ele e fazer o que Jesus fez."



3.  Refletir


 O catequista deve orientar a reflexão e promover a participação do catequizando.  
"Esse momento de diálogo é para que se veja o que o texto diz para cada um."


O catequista pode indagar: "O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere?"

É importante deixar  que os catequizandos falem o que o texto diz para eles. É preciso colocar o texto da "Bíblia" na  nossa "vida".  O autor sugere que, após dialogar sobre o tema, o catequista pode propor um símbolo ou uma atividade para reforçar o tema do encontro.

Neste encontro, o símbolo é o óleo .

Questões para ajudar nesta reflexão: "Como podemos perceber o significado de ser ungido? Em que tudo isso se relaciona com Jesus? Em que a unção dele é diferente? Para nós o que significa ser ungido na Crisma? Qual a dignidade e qual a tarefa que temos hoje? Com a crisma recebemos a missão de fazer o bem como Jesus. O que significa isso hoje? (Respeitar os idosos, não ser egoísta, saber partilhar, atender os doentes, ser capaz de ouvir e dialogar, não discriminar as pessoas.)"

Dinâmica: "Distribuir os setes dons do Espirito Santo num cartão para cada catequizando. Colocar sete velas que recordem as luzes do Espírito que vêm sobre nós. Cada pessoa coloca o cartão diante da vela e a acende.Todos os participantes do grupo podem dizer em forma de pedidos por que esse dom é importante para o mundo e para as pessoas de hoje. No final todos podem rezar a oração de invocação aos dons do Espírito Santo."

4. Crer


Falar sobre o sacramento da Crisma. Utilizar o catecismo ( n.1285)   e refletir: "Por que é importante receber a Crisma?"


Ritual da Crisma (Pág. 207)

-O Bispo impõe as mãos sobre os crismandos, recordando o gesto dos apóstolos para transmissão do Espírito Santo;
-Em seguida o bispo profere uma oração que invoca o Espírito Santo e pede que ele derrame os seus dons sobre os crismandos;
-Quando o crismando se aproxima do bispo, este o unge (a frente) com o óleo perfumado e diz: "Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus."
-O crismando diz: "Amém".
-Em seguida o bispo repete as palavras de Jesus "A paz esteja contigo."
-O crismando responde: "E contigo também."

  5. Testemunho de vida


Ler a história de Dom Luciano Mendes de Almeida: "Ungido para servir"

6. Rezar


Rezar Oração do Espírito Santo  ou para pedir os 7 dons.

7. Para estudar: Catecismo da Igreja Católica


I. A Confirmação na economia da salvação

1286. No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado (92), em vista da sua missão salvífica (93). A descida do Espírito Santo sobre Jesus, aquando do seu baptismo por João, foi o sinal de que era Ele o que havia de vir, de que era o Messias, o Filho de Deus (94). Concebido pelo poder do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam numa comunhão total com o mesmo Espírito Santo, que o Pai Lhe dá «sem medida» (Jo 3, 34).
1287. Ora, esta plenitude do Espírito não devia permanecer unicamente no Messias: devia ser comunicada a todo o povo messiânico (95). Repetidas vezes, Cristo prometeu esta efusão do Espírito promessa que cumpriu, primeiro no dia de Páscoa (97) e depois, de modo mais esplêndido, no dia de Pentecostes (98). Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos começaram a proclamar «as maravilhas de Deus» (Act 2, 11) e Pedro declarou que esta efusão do Espírito era o sinal dos tempos messiânicos (99). Aqueles que então acreditaram na pregação apostólica, e se fizeram baptizar, receberam, por seu turno, o dom do Espírito Santo (100).
1288. «A partir de então, os Apóstolos, para cumprirem a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito para completar a graça do Baptismo (101). É por isso que, na Epístola aos Hebreus, se menciona, entre os elementos da primeira instrução cristã, a doutrina sobre os Baptismos e também sobre a imposição das mãos (102). A imposição das mãos é justificadamente reconhecida, pela Tradição católica, como a origem do sacramento da Confirmação que, de certo modo, perpetua na Igreja a graça do Pentecostes» (103).
1289. Bem cedo, para melhor significar o dom do Espírito Santo, se acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). Esta unção ilustra o nome de «cristão», que significa «ungido»,e que vai buscar a sua origem ao próprio nome de Cristo, aquele que «Deus ungiu com o Espírito Santo» (Act 10, 38). E este rito da unção mantém-se até aos nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente. É por isso que, no Oriente, este sacramento se chama crismação (= unção do crisma), ou myron, que significa «crisma». No Ocidente, o nome de Confirmação sugere que este sacramento confirma o Baptismo e, ao mesmo tempo, consolida a graça baptismal.

1316. A Confirmação completa a graça baptismal; ela é o sacramento que dá o Espírito Santo, para nos enraizar mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais solidamente em Cristo, tornar mais firme o laço que nos prende à Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada de obras.
1317. A Confirmação, tal como o Baptismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou carácter indelével; é por isso que só se pode receber este sacramento uma vez na vida.
1318. No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente a seguir ao Baptismo e é seguido da participação na Eucaristia; esta tradição põe em relevo a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã. Na Igreja latina, este sacramento é administrado quando se atinge a idade da razão e ordinariamente a sua celebração é reservada ao bispo, significando assim que este sacramento vem robustecer o vínculo eclesial.
1319. O candidato à Confirmação, que atingiu a idade da razão, deve professar a fé, estar em estado de graça, ter a intenção de receber o sacramento e estar preparado para assumir o seu papel de discípulo e testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nos assuntos temporais.
1320. O rito essencial da Confirmação é a unção com o santo crisma na fronte do baptizado (no Oriente também em outros órgãos dos sentidos), com a imposição da mão do ministro e as palavras: «Accipe signaculum doni Spiritus Sancti – Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus» (no rito Romano) ou: «Signaculum doni Spiritus Sancti – Selo do dom que é o Espírito Santo» (no rito Bizantino).
1321. Quando a Confirmação é celebrada separadamente do Baptismo, a sua ligação com este sacramento é expressa, entre outras coisas, pela renovação dos compromissos baptismais. A celebração da Confirmação no decorrer da Eucaristia contribui para sublinhar a unidade dos sacramentos da iniciação cristã.


Obrigada. Deus ama você!
Cris Menezes


Referências bibliográficas


Livros:
Adultos na fé (Pe; Leomar Brustolin, Editora Paulinas)
A fé cristã para catequistas (Leomar A. Brustolin, Editora Paulinas)

Catecismo da Igreja Católica on line
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1210-1419_po.html#ARTIGO_2_

Leitura Orante da Bíblia, Ir. Patríca Silva
http://leituraorantedapalavra.blogspot.com.br


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