As cicatrizes de um ataque de jacaré



Semana passada, na Disney,  uma criança foi roubada por um jacaré. Os pais lutaram com o Jacaré para salvar a vida do filho, mas não conseguiram. O menino foi encontrado morto no dia seguinte. Esta é uma história terrível. 




Lembro de uma historinha que se contava no grupo jovem sobre  um menino cheio de cicatrizes no braço. Eram cicatrizes que o faziam lembrar que sua mãe lutou por sua vida quando um jacaré o atacou. E a mensagem era: nós trazemos também marcas que nos lembram a todo tempo que Deus tem lutado por nós. Fiquei imaginando as cicatrizes que carrego na alma, marcas das lutas travadas para que minha vida fosse preservada. Como me senti amada ao refletir sobre esta historinha, que nunca imaginei ser tão de verdade. Sim existem crianças que foram salvas por seus pais de ataques de jacaré. Passou na televisão: há algum tempo aconteceu algo parecido com outra família.  Um homem conseguiu tirar seu filho da boca de um jacaré. O menino foi salvo. Infelizmente não aconteceu o mesmo com o menino lá na Disney. Não sou mãe, mas fico agoniada só de pensar. Imagina ver seu filho na boca de um jacaré e não conseguir tirá-lo de lá? 

Algumas pessoas julgaram os pais por negligência. Como pode tanta insensibilidade pela dor dos outros? Compaixão não faz mal a ninguém e um pouco de empatia também não- é só colocar-se no lugar desses pais. Uma outra mãe que uma vez também  levou seu filho  para brincar nas proximidades desse lago argumentou que os pais não podiam imaginar que era perigoso que seus filhos brincassem perto de um lago artificial e pequeno, dentro de um resort.  Lembro aqui de crianças que morreram em parques de diversão por defeitos nos brinquedos ou falta de manutenção.  Nós confiamos que outras pessoas estão cuidando de nossa segurança e da segurança das crianças e jovens.  Confiamos na administração de um parque quando levamos nossas crianças. Confiamos no motorista quando entramos num ônibus. Confiamos! Porque não pode ser diferente ou confiamos ou não vivemos! Sabemos que há as fatalidades, mas riscos que põem  a vida das pessoas em perigo devem ser reduzidos ao mínimo com controles de segurança, por exemplo.

Imagino tantas famílias que sofrem com a perda de seus filhos; tem seus filhos roubados pela violência, drogas, acidentes. Quantos pais lutam por seus filhos? Quantos se sentem impotentes? Quantos conseguem resgatá-los dos "jacarés" do mundo? Quanta dor! Meninos inocentes, enquanto brincam na porta de casa, são atingidos por balas perdidas de tiroteios entre bandidos e  a polícia. Vidas interrompidas pela violência urbana. Esses dias uma menina teve sua vida tirada brutalmente num provável assalto aqui em Brasília no caminho entre sua casa e a faculdade. Um ônibus que levava estudantes capotou em São Paulo e matou muitos jovens. A dor que atinge a todos. Sofremos juntos com esses pais que têm seus filhos tirados de si de maneira tão estúpida.  Poderia ser com qualquer um de nós.  Sempre falo que nós somos sobreviventes. Temos que fugir de bala perdida, dos assaltos, da violência, dos mosquitos, dos vírus e bactérias, das doenças... "Viver é perigoso", já dizia Guimarães Rosa. 

Não tenho respostas para os grandes sofrimentos. Gosto de pensar que Deus chora com a gente, O Deus-humano, Jesus, chorou quando lázaro morreu. A humanidade de Jesus me ajuda a crer num Deus próximo, que veio viver entre nós para nos ensinar a viver, que amou para nos ensinar a amar, que morreu e ressuscitou para nos ensinar que há ressurreição. Aprendi que a morte, a tristeza, as dores não têm a última palavra. As cicatrizes só ficam naqueles que lutam corajosamente pelos seus, sem medo de perderem a própria vida. Amor maior não há. Confiemos no Senhor.

Cris Menezes
Catequizando feliz

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