20 fevereiro, 2016

Catequese com Adultos- Começando...


Para início de conversa, trechos do livro Seguir o mestre (Livro 1, Editora Paulinas), do Antônio Francisco Blankendaal.
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A maturidade da fé, objetivo da catequese, concretiza-se com adultos-discípulos que se põem no seguimento do Mestre, aptos para viver os valores do Evangelho em um continuado exercício de discernir os sinais do Reino na turbulência da cidade, no bombardeio dos meios de comunicação.

Finalidade da Iniciação à vida cristã: alcançar a maturidade em Cristo (cf Ef 4,13), isto é, formar a identidade cristã.  Só depois de uma catequese adequada e da celebração dos três sacramentos poderemos dizer que a iniciação cristã está completa.


Falar com adultos

A catequese com adultos assume algumas características próprias da idade adulta: protagonismo que faz o adulto sujeito de sua educação.

-O catecumenato com jovens e adultos é o lugar da interação da vida de cada um com seus projetos, sonhos e desilusões com a pessoa de Jesus manifestada no contato direto e testemunhal da comunidade de fé.

-Vamos percebendo que só é possível uma catequese dialogal que valoriza as experiências de vida e a troca de saberes. Não há postura de professor e aluno, mas sim de irmão e amigo que quer ser companheiro facilitador e animador para suscitar uma fé refletida e pensada comunitariamente e que seja mais consoante ao coração de Cristo.

-O Catequista, irmão mais experiente na fé e no contato com a Palavra e os sacramentos, questiona, orienta e testemunha em primeiro lugar os ensinamentos e a prática da fé.

-Que os adultos "não sejam considerados simples destinatários, mas interlocutores de nossa proposta de fé. É uma catequese feita de partilha de saberes, experiências e iniciativa, em que ambos os lados criam laços (catequistas e catequizandos), buscam, ensinam, aprendem e vivenciam a vida cristã (Diretório nacional da Catequese).

-O catequista deve superar a mentalidade de uma catequese aula, que se assemelha à escola, à aula de religião. Se o catequista reproduz, em sua catequese, os modelos de uma educação escolar, ele não faz verdadeira catequese.

-A grande missão do catequista é a de preparar seus catequizandos para viver como Igreja. Deve despertar para um engajamento e um protagonismo verdadeiro em todos os âmbitos da vivência social, seja política, seja sindical, seja cultural etc.., onde o critério de discernimento e de vivência dessas dimensões seja a fé e a vida em Cristo Jesus.

Uma catequese verdadeiramente adulta parte da própria situação religiosa dos catequizandos, para um progressivo caminho de fé: sua história pessoal de busca de Deus, suas experiências anteriores com a catequese ou com o Evangelho, sua visão de mundo, seu maior ou menor contato anterior com a Igreja. (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)


18 fevereiro, 2016

A autoestima do catequista


Weheartit

Na nossa formação, tivemos um testemunho de uma catequista. A questão era  provação da fé. Ela relatou que começou a participar de um coral, mas  nunca era escolhida para cantar. E por isso, ficou desmotivada. Ela então saiu do coral. Um dia alguém, na Igreja, a ouviu cantar e elogiou a sua voz.   Ela tão surpresa olhou para pessoa e disse: "É mesmo? Minha voz é bonita?" E voltou para o coral. E encontrou pessoas que a valorizaram. E voltou a cantar.

Uma outra catequista, já antiga no grupo, foi sendo deixada de lado nas atividades da equipe.  Começou a ser dispensada dos trabalhos como se não fosse capaz de, junto com os outros, preparar uma palestra, um encontro, uma dinâmica. Ela então se afastou da catequese. Esses dias  eu a vi  e disse olhando bem nos seus olhos: "O importante é o que Deus sabe ao seu respeito. O que você mesma sabe sobre você. Não o que os outros sabem, porque, na verdade, eles não sabem nada. Volte. " Estas histórias poderiam ser de qualquer um de nós. E aposto que se você não passou por uma situação assim, conhece alguém que já vivenciou isso. Então, precisamos conversar.

Tem muita gente querendo decidir se temos um determinado dom ou vocação; se somos bons ou não como catequistas; se somos capazes ou não para desenvolver um trabalho na Igreja. Mas o pior disso tudo, é que, provavelmente, essas pessoas julgam a partir das aparências, não das reais capacidades de cada um. Não estou falando que a opinião de alguém não seja importante, mas que se um irmão de pastoral descobre uma dificuldade ou fragilidade do outro, e se tiver razão nesta avaliação, não seria melhor conversar com a pessoa, ajudá-la a descobrir e colocar em prática seus dons? Vamos oferecer formações, ajudar a desenvolver a capacidade dos nossos catequistas, dos nossos irmãos em Cristo, ao invés de descartá-los por achar, e às vezes é só mesmo por achismo, que eles não servem para aquele determinado trabalho. Isso é muto cruel, gente. Isso afeta a autoestima do cristão, isso desestimula, isso machuca, fere, afasta as pessoas da Igreja. 

Olhando para mim, para minha própria história, sei que evoluí muito desde o primeiro dia que fui ao grupo jovem. Eu era tímida e fui incentivada a falar, a expor minha opinião, a preparar encontros, a ler na missa. Tem pessoas que tem mais facilidade para falar, outras não. Algumas realmente não querem pegar um microfone e falar. Acredito que devemos respeitar e não obrigá-las a ir. Mas tem muita gente que só precisa ser incentivada, treinar, perder o medo de falar em público, ser reconhecida e valorizada pela equipe.

Eu também já me senti desvalorizada na catequese. Lembro que um dia, em reunião, uma catequista começou a sugerir os catequistas que ela "achava" que poderiam dar uma palestra para as crianças. Então, ela começou a apontar: a fulana é boa, a sicrana é engraçada... E eu, apesar de ter muito tempo de caminhada, me senti invisível. Eu gostaria de dar a palestra, mas não fui nem citada. Hoje penso que eu deveria ter me pronunciado e ter dito: "eu quero ir, eu sou capaz". Mas me encolhi e não disse nada. Só eu sei (e meus poucos amigos) de cada renúncia, cada lágrima, cada alegria por estar na Igreja e por ser catequista. Eu sei da minha catequese, sei que é dinâmica, criativa, divertida, profunda, e repleta do amor de Deus. Os outros catequistas geralmente não conhecem a sua catequese, porque não visitam a sua sala, não conhece seu trabalho a fundo, não te conhece, conhecem só a superfície, a aparência, mas Deus vê seu esforço, sua dedicação, seu amor pela Igreja.

Hoje eu só quero dizer para cada  catequista: Você é uma pessoa escolhida por Deus para anunciar o Evangelho, é portador da esperança. Não deixe que ninguém diga que você não é capaz. É Deus quem te capacita. Sei que é difícil ouvir palavras depreciativas ou não ser visto, nem ser escolhido para liderar ou desenvolver alguma atividade.  Não se intimide. Acredite em você, procure sempre melhorar, desenvolver seus dons. E não permita que ninguém diga que você não pode, que você não é bom, que não é capaz... (Simplesmente não escute e siga em frente.)

"Deus sabe quem você é, as pessoas te imaginam."

Cris Menezes

http://catequesedeeucaristia.blogspot.com.br/

16 fevereiro, 2016

Entendendo o saneamento básico-CF2016



-O saneamento básico inclui os serviços públicos de abastecimentos de água, o manejo adequado dos esgotos sanitários, das águas pluviais, dos resíduos sólidos, o controle de reservatórios e dos agentes transmissores de doenças. Isso traz sensível melhoria na saúde e nas condições de vida de uma comunidade.

-Saneamento básico significa o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações físicas, educacionais, legais e institucionais que garantam:
a- abastecimento de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição;
b. esgotamento sanitário: coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgoto sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente;
c. limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final no meio ambiente;
d. limpeza urbana e manejo das águas pluviais urbanas: transporte, detenção ou retenção para evitar enchentes. 
e articulação entre o saneamento básico e as políticas de desenvolvimento urbano e regional de habitação, de combate à pobreza e se sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante interesse social voltadas para  melhoria da qualidade de vida para as quais o saneamento básico seja fator determinante (Lei n.11.445/07, art.2, parag. 6°)

-A implantação do saneamento básico torna-se essencial à vida humana e à proteção ambiental. É, portanto, ação que busca construir a justiça, principalmente para os pequenos e pobres. As ações de saneamento básico são serviços essenciais, direito social do cidadão e dever do Estado. ( Ver Resolução n.64/292, de 28 de julho de 2010.)


Saneamento básico e saúde

-Milhares de pessoas no mundo se tornam mais suscetíveis a doenças como diarreia, cólera, hepatite e febre tifoide, por conta de condições precárias de disposição do esgotamento sanitário, água e higiene.

-A insalubridade causa problemas de ordem psicológica e emocional, não apenas físicos. 


Urgência do saneamento básico no Brasil

-82% da população brasileira têm acesso à água tratada.
-Mais de 100 milhões de pessoas no país ainda não possuem coleta de esgotos e apenas 39% destes esgotos são tratados, sendo despejados diariamente o equivalente a mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.

-Os serviços de saneamento básico são essenciais para evitar a proliferação de doenças;

 Saneamento básico e o direito à moradia saudável

-As estruturas e os serviços de saneamento são parte integrante da nossa habitação. No Brasil. existem mansões e condomínios de luxo, localizados em áreas com boa acessibilidade, segurança e com recurso luxuosos, no entanto, nem sempre essas moradias cumprem as regras de saneamento básico e proteção ambiental. Também existem bairros populares que cresceram enormemente na últimas décadas com deficiências visíveis na área do saneamento básico, coleta de lixo e rede de abastecimento de água potável. Além disso, existem no Brasil milhares de pessoas que vivem em favelas e cortiços com instalações sanitárias improvisadas e esgoto a céu aberto. E há a população em situação de rua exposta a todos os tipos de precariedades.


-A moradia adequada é reconhecida como um direito universal pela declaração Universal dos Direitos Humanos, desde 1948. Vários tratados internacionais, após essa data, reafirmam que os Estados têm a obrigação de promover e proteger este direito. O direito à moradia adequada deve incluir condições de proteção contra os fatores que colocam em risco a saúde e a vida das pessoas. O acesso à moradia precisa também disponibilizar serviços de infraestrutura equipamentos públicos, tais como redes de água, saneamento básico, gás e energia elétrica, além do transporte público, limpeza e localização adequada.

Você sabia que:

No mundo, um milhão de pessoas fazem suas necessidades a céu aberto?

Mais de 4.000 crianças morrem por ano por falta de acesso à água potável e ao saneamento básico?

Na América Latina, as pessoas têm mais acesso aos celulares do que aos banheiros?

Trechos retirados do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2016: Cama Comum-Nossa Responsabilidade

(Continua)

15 fevereiro, 2016

Desapegue-se, catequista!




Sou catequista de Primeira Eucaristia há mais de uma década...Ôpa. Como somos apegados a etapa que estamos trabalhando na catequese! Vocês também são assim ou  sou só eu? Corrigindo: sou catequista há mais de uma década. Melhor assim. 

Durante todo este tempo, só fiquei com turmas de Primeira Eucaristia e durante muito tempo nem imaginava mudar de etapa. Me identifiquei muito com as crianças e adolescentes.  Me sinto mais jovem quando estou com eles. Gosto da alegria deles, do sorriso fácil, da animação, das brincadeiras, da perspicácia e da inocência. Jesus já dizia que quem não tiver o coração de uma criança não entrará no Reino de Deus. Ensinei e aprendi muito sobre o amor de Deus. 

Mas no final deste último ano da catequese, Deus colocou no meu coração o desejo de me aventurar em outra etapa, em especial a catequese com adultos, o oposto da catequese com crianças, não é verdade? E o padre, depois da nossa formação, me lançou o desafio de ir para a catequese de Crisma com adultos. Claro, disse sim, mesmo com o coração apertadinho por deixar a Primeira Eucaristia, onde tudo começou, onde eu dei meus primeiros passos como catequista e como eu cresci desde o primeiro encontro. 

É importante pensarmos que o catequista deve transitar tranquilamente entre todas as etapas e isso é enriquecedor, não acham? Cada etapa tem seu valor, como na vida, que cada idade tem sua beleza: a infância, a adolescência, a juventude, a  maturidade... A catequese acompanha cada fase desde a sementinha até a Crisma com adultos. 

Ser catequista é se colocar à disposição para o serviço, é ir  onde há mais necessidade de catequistas, e não ficar apegado a uma etapa. O verdadeiro catequista não pode ser catequista de etapa, mas ser catequista da Paróquia e servir, com generosidade e amor, onde for chamado. 

Estou com muita disposição para adentrar nesta nova realidade de evangelização e catequização.  "A catequese com adultos é um desafio e uma prioridade hoje no Brasil. Os batizados não evangelizados apresentam-se para a catequese sem o mínimo contato com Jesus Cristo. Faz-se necessária uma proposta de iniciação cristã". 

Quando entrei na catequese, eu tinha 23 anos e ainda frequentava o grupo jovem. Todos sabem o quanto eu amadureci. Estou com 36 anos e ganhei com as rugas, maturidade como mulher e como cristã. Com este novo começo, me lanço para as águas mais profundas. Catequizar adultos requer uma outra linguagem, outra metodologia, outra dinâmica. Estou pronta? Sim. Estou. Porque o Senhor me chama e me capacita e eu respondo: "Faça-se em mim segundo a Tua palavra". 

Tem algum catequista na etapa de Crisma com adultos? Aceito sugestões de livros, formações e orientações. 


Catequista Cris Menezes
Catequista por amor